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Créditos fotográficos: Magali Tarouca

Ser Mãe é de facto maravilhoso mas isso já vocês sabem porque toda a gente diz (e é mesmo verdade)! Agora, ser Mãe é também muitas outras coisas que gostava que me tivessem dito, para não me sentir mal ou diferente por achar que é também das coisas mais difíceis de aceitar.

É prescindirmos de muita coisa que gostávamos de fazer ou ser porque tudo muda e, nem sempre estamos preparadas para mudar tudo! Já não somos a prioridade e temos alguém que agora depende de nós praticamente 24h por dia não existindo a possibilidade de pormos em standby ou “desligar” até estarmos recompostas. Que talvez não sintamos uma ligação imediata porque nas primeiras semanas de vida ele vai exigir muito de nós (o bebé e quase todos à nossa volta) mas que, quando essa ligação chega, é arrebatadora e vai-se tornando mais forte à medida que eles vão crescendo.

Que vamos deixar de ter tempo para cuidar de nós da mesma forma, as idas ao cabeleireiro vão ser quase só já no limite porque o cabelo está uma lástima. Vai-nos falhar uma unha ou duas e o verniz vai andar estalado porque vamos ter que lavar mais roupa, loiça, dar banho, trocar fraldas, preparar mochilas para a escola e atividades, arrumar brinquedos e mudar lençóis quando há fugas de chichi durante e noite e, no meio de tudo, ir à manicure, cabeleireiro, depilação ou massagem não parece prioritário.

Que vamos passar a dormir menos, quase literalmente com um olho aberto e outro fechado, que as primeiras noites vão ser (muito) duras e que nos vamos sentir sozinhas no processo de acordar de 3h em 3h para amamentar, mesmo que o pai esteja mesmo ao nosso lado. Que vão acordar muitas vezes durante a noite e que vão ceder em levar os miúdos para a vossa cama para conseguirem dormir melhor e que isso não vai acontecer porque vão passar toda a noite a levar com uma mão na cara ou um pontapé na barriga no pequeno espaço que vos vai sobrar na vossa própria cama. E vamos ficar com olheiras até ao chão que provavelmente não vão mais desaparecer mas que vamos sentir mais tarde muita falta de alguns desses momentos que, apesar de na altura parecerem uma eternidade, passam na realidade muito rápido.

Que o nosso corpo vai mudar muito, que vamos sentir muita pressão para que volte ao lugar rapidamente (e por vezes não volta mesmo), que vamos ficar com marcas da gravidez ou de uma cesariana e que, quando for a altura certa (que depende muito de mulher para mulher), tudo volta ao lugar… ou então não mas, acabamos por perceber que não somos só um corpo e que não é isso que nos define.

Que as idas à praia já não vão ser de barriga para o ar a apanhar sol, a dormir sestas ou a ler livros e que somos capazes de carregar sacos de brinquedos, toalhas, mudas de roupa e colchões de uma forma que nem achávamos possível, tendo que acordar quase de madrugada para ter tudo pronto a tempo de ainda apanharmos as horas boas do sol da manhã.

Que as idas ao supermercado vão ser uma luta entre conseguir comprar tudo o que precisamos da lista, sem trazer o carrinho com os extras que os miúdos vão acrescentando sem darmos conta. E que a zona das caixas para pagar estão minadas de porcarias que não nos deixam alternativa senão comprar o chupa chupa, os super zings e as cartas do Pokemón sem empatarmos mais a fila de pessoas que estão à espera.

Que nunca mais vamos conseguir comer uma refeição quente ou em paz porque alguém nos interrompe a dizer que quer a carne cortada em bocados mais pequenos, porque a sopa está fria, porque nos esquecemos de pôr no seu prato preferido do Blaze ou porque, quando  finalmente nos sentamos para comer… que ir fazer cócó (esta até tira o apetite, não me venham com a treta que dos nossos filhos não cheiram mal… cheiram)!

Que nas festas ou eventos estaremos a falar com alguém mas sem nunca tirar os olhos dos miúdos e por vezes vamos interromper a conversa com um berro ou um sprint repentino para evitar algum acidente.

Que já não vamos ter a mesma resistência para as saídas à noite (talvez até deixemos de gostar disso)… sinto que isso já foi noutra vida…

Que vamos passar fins de semana intermináveis em festas de crianças que no final do dia vão estar em modo louco de tanta excitação e açúcar no sangue.

Que as férias serão por vezes mais desgastantes que a rotina do dia a dia (fazer malas a dobrar ou triplicar é um desafio) e que acabamos por regressar a casa a precisar de férias das férias.

Que vamos ter que recusar alguns convites de coisas que adoraríamos fazer mas não temos com quem deixar as crianças e o tempo com elas é sempre mais importante.

Que a espontaneidade de ir jantar fora numa noite quente de verão não vai acontecer porque implica alterar a rotina dos nossos filhos e isso tem consequências (normalmente para nós).

Que, por mais que nos apeteça ficar até tarde no sofá para termos um momento de paz, vermos um filme ou uma série (quando conseguimos fazê-lo sem adormecer nos primeiros 5 minutos), sabemos que o melhor é aproveitar para ir descansar porque no dia seguinte alguém vai acordar na mesma muito cedo e nós é que nos lixamos.

Mas que tudo isto vai revelar uma pessoa corajosa, de uma força e resiliência imensa e capaz de tanta coisa que desconhecíamos ser. Um amor incondicional que vai aumentando de dia para dia, uma entrega total da nossa parte mas, ao mesmo tempo, um orgulho enorme por vermos crescer aquele pequeno Ser que se vai tornando um adulto que ajudámos a criar. E que seres do caraças somos nós, Mulheres! Para conseguirmos fazer tudo isto e ainda termos tempo para trabalhar, cuidar da casa e de nós.

Se me permitem deixar-vos um conselho, nunca se anulem, nunca se esqueçam de vocês, de tudo o que vos faz feliz, para além da felicidade de serem Mães. Peçam ajuda se sentirem que não conseguem controlar tudo sozinhas, não é sinal de fraqueza, muito pelo contrário. Chorem se vos apetecer porque nem sempre somos fortes (nem temos que ser). Permitam-se falhar, porque não somos perfeitas (ninguém é)! E porque, se formos felizes com tudo o que precisamos para o ser, mesmo que isso por vezes implique deixar os miúdos um fim de semana com os avós ou não estarmos tanto tempo com eles, seremos na mesma as melhores Mães do mundo!

Feliz Dia da Mãe a TODAS as Mães, e também aos Pais que por vezes também são Mães!

 

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