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Sei que já esperavam este post há algum tempo mas, sendo um assunto que considero delicado, queria fazê-lo da forma que me parece ser a mais correta. Acredito que queiram muito saber como tenho conseguido perder (aos poucos) os quilos que acumulei mas quero que compreendam que é um processo que leva tempo, não acontece de um dia para o outro e, se não o fizerem pelos motivos certos, muito provavelmente não serão bem sucedidos. Não quero com isto estar já a desmotivar, muito pelo contrário, mas se a vossa intenção for perder peso rapidamente e sem grande consistência então aí sim vão perceber que não funciona e vão acabar por desistir.

Sempre pesei cerca de 60kg (mais coisa menos coisa) e este sempre foi o peso com o qual me sentia bem. Na gravidez engordei mais de 20 kgs mas consegui perder grande parte, no ano em que o meu filho nasceu. Mas, no ano seguinte, um edema cerebral provocado por uma otite obrigou a uma operação à cabeça que me levou a ficar quase um mês no hospital. Com cortisona e corticoides durante tanto tempo acabei por voltar a ganhar peso e inchar. Desde essa altura que nunca mais me senti motivada para voltar a ser quem eu era. Não foi só pelo peso que ganhei durante essa recuperação no hospital mas por tudo o que veio depois. Um novo corte de cabelo (como tive que rapar a zona onde operaram acabei por cortar o cabelo curto), muitas borbulhas na cara e no corpo e uma sensação de estar sempre inchada (resultado da medicação). Senti que a Magda de antes se tinha perdido, tinha-me ido abaixo com tanta mudança, tinha deixado de reconhecer a pessoa que via ao espelho.

Sim, acima de tudo acho que foi isso que me motivou a perder peso, querer voltar a reencontrar-me. Deixei-me acomodar e acho até que muitas vezes a comida acabou por ser um escape para aqueles dias em que não me sentia bem (e foram muitos). Há uns meses, andava a arrumar umas coisas e encontrei fotografias minhas, antes de ter o meu filho. Sei que há coisas que não vão voltar atrás, já se passaram 5 anos, já tenho mais rugas e o meu metabolismo mudou mas, sei que lá no fundo continuo a ser a mesma pessoa e quero voltar a sentir-me bem comigo própria. Não é só a questão física, há um todo a trabalhar mas o corpo é mesmo o primeiro impacto que temos quando nos vemos ao espelho.

Fui sempre adiando esta decisão, porque sempre pensei que leva tempo e, lá está, queria algo que fosse rápido! Mas isso não existe… e o tempo acaba por passar. Já que passa, então que seja a fazer pelo nosso melhor, a chegar aos poucos ao nosso objetivo… e foi aí que tomei a decisão! Percebi que quero andar cá muitos anos da melhor forma possível, para poder acompanhar o meu filho, olhar ao espelho e sentir-me bem com o que vejo, voltar a sentir-me bem comigo.

E mudei os meus hábitos alimentares de um dia para o outro. Não quis procurar um nutricionista ou inscrever-me num ginásio, para perceber até que ponto conseguia resultados apenas mudando a minha alimentação e com a minha força de vontade. Acho que no fundo todos sabemos o que nos faz mal ou o que nos faz engordar. Claro que há outros fatores e por isso devemos ser acompanhados mas, numa fase inicial quis ver até que ponto era capaz de alterar algumas coisas por mim, sem alguém a dar indicações, a controlar aquilo que comia ou a contar calorias, porque isso pressiona-me e deixa-me ansiosa e só me iria deixar mais frustrada se não alcançasse os objetivos propostos. Não, queria fazer as coisas lentamente, ao meu ritmo, sem me privar de viver e apreciar as coisas boas mas fazendo (sempre que possível) as opções corretas. Nunca me tinha sentido tão motivada e isso ajudou bastante!

Deixei de beber leite de vaca e reduzi os iogurtes, queijos e derivados do leite, comecei a procurar as opções sem lactose e substituí o leite por bebidas vegetais como as de amêndoa (a minha preferida), arroz, côco e aveia. Reduzi muito o pão (comia todos os dias duas fatias de pão torrado com manteiga ao pequeno almoço), agora só como pão de espelta e apenas uma ou duas fatias umas duas vezes por semana.

Passei a fazer refeições quase de 3h em 3h (não controlo o relógio mas evito estar muito tempo sem comer) e a evitar os doces, os alimentos processados, os fritos e os hidratos de carbono. É difícil (principalmente na altura das férias) mas tento sempre jantar até às 20h e beber pelo menos 1,5l de água durante o dia.

Comecei a tomar cápsulas de óleos essenciais 100% naturais (faço um mix que preparo em casa todos os dias de manhã), que servem para reduzir o apetite, drenar, acelerar o metabolismo, alcalinizar e desintoxicar o corpo.

Sei que estou a precisar desesperadamente de exercício físico, para tonificar e conseguir perder mais peso mas, nessa parte ainda falho muito. Neste momento não consigo encaixar idas ao ginásio nos meus dias já bastante preenchidos e por isso comecei a arranjar alternativas. Passei a andar muitas vezes a pé, só vou de metro para Lisboa e, se tiver tempo, tento sair umas paragens antes e fazer parte do percurso a pé. Evito elevadores e subo e desço muitas escadas. Tento fazer alguns exercícios em casa mas ainda não consegui estabelecer uma rotina. Para este mês tenho previsto o início de algo que já quero começar a fazer há bastante tempo mas, na devida altura conto tudo!

Agora, antes de comer alguma coisa que não seja muito saudável, penso sempre se me vai saciar só naquele momento e se depois sentirei culpa por ter estragado em minutos tantos dias de esforço. Será que é mesmo aquilo que me apetece? Acreditem que, com o tempo, vai deixando de apetecer algumas coisas e conseguimos resistir muito mais às tentações. Quando tenho que ir para algum lado levo comigo alguns snacks (frutos secos, bolachas de milho, peças de fruta, iogurte, etc), assim se me der fome não como a primeira coisa que me aparecer, até porque muitas vezes não há opções saudáveis à mão.

Gosto muito de beber um copo de vinho, uma cerveja ou um gin mas reduzi drasticamente a ingestão de bebidas alcoólicas. Sempre gostei de preparar o jantar a apreciar um copo de vinho tinto mas, o álcool tem muitas calorias e engorda se não for consumido com moderação. Não deixei de beber, adoro vinho (basta verem o meu instagram para perceberem isso), passei apenas a fazê-lo em ocasiões em que estou com amigos ou família, num ou outro almoço ou jantar e apenas um copo (dois no máximo) intercalando sempre com água.

Se me apetecer uma cerveja ou um gin também bebo mas, a minha alternativa é sempre uma água com gás com gelo, hortelã e frutos vermelhos ou limão. Não é de facto a mesma coisa mas refresca, sacia e ao menos não nos deixa com aquele sentimento de que não estamos a “conviver” com os outros pelo facto de não bebermos.

Se me apetece um doce, como uma gelatina ou um quadrado de chocolate negro (não gosto muito e por isso mesmo consigo comer apenas um ou dois quadrados, no máximo). O doce que comia depois de beber o café (preciso sempre de um doce depois do café) passou a ser substituído por apenas um biscoito de alfarroba ou o tal quadrado de chocolate. Juro que por vezes já nem me lembro e fico-me apenas pelo café. Os aperitivos cheios de sal e pimenta passaram a ser substituídos por meia dúzia de frutos secos naturais e as tostinhas com paté de atum (que adorava fazer em casa com pickles e maionese) passaram a ser substituídas por palitos de cenoura e pepino com húmus (e tem sido um sucesso)!

Comecei estas mudanças em Março e desde então já perdi 10 kgs. Parece (e é) imenso mas, foram (apenas) 2 kgs por mês, um número que se analisarmos isoladamente parece pouco mas, é o ideal para perder num mês e o suficiente para chegar aos poucos ao meu objetivo… um peso saudável com o qual me sinta confortável.

Não quero dietas malucas para perder peso radicalmente, não quero sofrer ou passar fome, não quero ganhar a seguir todo esse peso perdido ou até mais. Quero que seja um estilo de vida, que me habitue a comer bem e a cuidar de mim e do meu corpo com todo o carinho que ele merece. A dar-lhe as coisas que lhe fazem bem orgulhando-me sempre das minhas formas (e também dos meus defeitos).

Quero deixar de me refugiar na comida sempre que me sinto em baixo, percebi aos poucos que o facto de comermos descontroladamente tem muito a ver com questões emocionais. Tentem perceber o que despoletou essa fome súbita, arranjar alternativas para resolver essas emoções que não passem por comer tudo o que vos aparecer à frente, porque isso garantidamente não vai ajudar, muito pelo contrário!

Eu não conto calorias, eu conto nutrientes e propriedades que vão dar energia e coisas boas ao meu corpo. Como disse, como quase tudo o que me apetece, tento apenas fazer opções saudáveis, reduzir doses e equilibrar as coisas. Se num dia cometo um excesso, no outro controlo um pouco mais.

O (meu) caminho ainda vai a meio. Comecei com 78 kgs, tenho agora 68 kgs e ainda quero chegar aos 58 kgs, o peso que considero ser o ideal tendo em conta a minha estatura. Ou seja, ainda me faltam mais 10 kgs e estes, são os mais complicados.

Como disse, sinto que estagnei um pouco. É verdade que em Agosto, com o mood de férias, perdi-me um pouco nos jantares, comi um ou outro gelado, bebi uns copos a mais. Não me privei de grande coisa mas, como fui tentanto equilibrar com as opções certas, o peso também não se alterou. Mas não quero que o número que peso ou visto seja o objetivo, quero apenas sentir-me bem e saudável.

Este ano voltei a vestir um bikini (nunca gostei de sentir o fato de banho colado na barriga quando vou à água mas foi sempre a minha opção depois de ter tido o meu filho, porque não a queria mostrar), voltei a vestir calções e a maioria da roupa já não me fica apertada, e a sensação de já não ter roupa apertada é tão mas tão boa!

IMG_7797IMG_7796Tenho partilhado muitas das minhas refeições e opções alimentares pelo instagram!

Ficam aqui algumas coisas que alterei na minha alimentação e na rotina do dia a dia:

Pequeno almoço

– Papas de aveia com fruta e frutos secos

– Pudim de Chia com fruta batida e sementes

– Uma fatia de pão de espelta barrada com queijo creme ou manteiga de amendoim e morangos e kiwis acompanhada de um sumo de laranja ou outro de fruta natural

– Ovos mexidos com tomate cherry, fruta da época e uma bebida vegetal com café e canela

 

Opções saudáveis para petiscar ao longo do dia

– Bolachas de milho, frutos secos, iogurte, gelatina, queijo fresco, peça de fruta, palitos de cenoura, etc

 

Refeições principais

– Peixe com legumes, saladas variadas (tenho sido muito criativa), sopa com sementes de abóbora e girassol, arroz ou massa integral, cuscuz, quinoa, bulgur, trigo sarraceno, etc.

– Uma peça de fruta ou uma gelatina como sobremesa

 

Quando quero fazer um bolo ou um doce substituo o açucar refinado por açucar de côco ou xarope de agave, farinha de trigo por farinha de amêndoa, alfarroba ou outra e óleo por óleo de côco.

Bebo pelo menos 1,5l de água todos os dias, para além de ajudar a eliminar toxinas e a desinchar, sinto que me deixa a pele mais bonita e tem ajudado imenso na questão da acne (sim aos 42 ainda é possível ter acne).

Quando tenho um almoço ou jantar, tento comer em casa alguma coisa saudável para não chegar cheia de fome e comer tudo o que aparecer. É meio caminho para não me vingar no pão e nos aperitivos.

Se for à praia preparo uma salada ou cozo uns ovos, levo umas cenouras e fruta e evito as sandes e as bolas de Berlim. Nesta altura a fruta é tão boa que, na minha opinião, uma bela fatia de melancia doce e fresquinha sabe-me muito melhor que uma bola cheia de óleo e açucar!

Evito comer depois das 20h, sei que não é fácil mas, o meu truque é lavar logo os dentes, assim tenho menos tendência a não resistir a algo mais que me possa apetecer.

Estas são algumas coisas que passei a fazer. Não significa que resultem com toda a gente, nem significa que é a forma correta para perder peso. Foi apenas o que funcionou comigo sem ter que me sentir a privar de viver! Gosto de comer e beber e por isso não iria conseguir fazer uma dieta muito restrita ou radical.

Acho que cada pessoa deve procurar aquilo que funciona para o seu caso, uma alimentação que a faça sentir-se bem e que permita alcançar os objetivos sem ter que sofrer. Porque assim passa a ser o seu estilo de vida e não apenas (mais) uma dieta para perder peso!

15323807222102Aconselhem-se, procurem um médico, um nutricionista, um ginásio ou um PT mas, acima de tudo, procurem a vossa motivação (não o facto de quererem ser iguais a outras pessoas), aquela que está no vosso coração e que vos deixa felizes.

 

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