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Ontem pelas 11h51 a terra voltou a tremer em Portugal! O sismo de 4,9 com epicentro a 6km de Arraiolos foi sentido em todo o país e também eu o senti. Tinha acabado de chegar à cozinha para começar a preparar qualquer coisa para comer e tive a sensação de estar a tremer, inclusive vi uma caneta a abanar mas pensei que lhe tivesse dado um toque sem querer. Na altura tinha uns vizinhos a martelar e pensei que era o meu cérebro a pregar-me uma partida ou que o mais certo era estar com fraqueza e tinha ficado meio zonza.

Mas veio de novo à memória a sensação horrível que tive no dia 17 de Agosto do ano passado. Entretanto, quando me apercebi que toda a gente estava a falar nisso nas redes sociais e que as notícias também o estavam a anunciar percebi que tenho que confiar mais vezes no meu instinto.

Não sei se por aqui alguém sentiu o sismo de Agosto do ano passado. Eu senti e, apesar de ter sido apenas por poucos segundos, garanto que foi muito assustador!

Eram 7h30 quando acordei, estava de férias com o Afonso e por isso sem horários ou pressas para sair da cama. Durmo sempre com um pouco das persianas abertas porque gosto de ir acordando com a luz natural. O Afonso ainda dormia no quarto dele e por isso fechei os olhos e fiquei na preguiça. Até que senti a minha cama a abanar… o primeiro pensamento foi:  não pode ser o Afonso, ele não tem força para isto! Abri os olhos para tentar perceber o que se passava e olhei à volta confirmando que ninguém estava no quarto, até que olhei para o roupeiro (que tem um espelho na porta) e vi o espelho a abanar. Aí sim tive a certeza que estava a acontecer uma das coisas que mais me assusta na vida: um sismo.

Entretanto parou e levantei-me logo da cama para ver se o Afonso tinha acordado, como estava a dormir voltei para o meu quarto, vesti-me e calcei-me com receio de que houvesse alguma réplica e assim estaria preparada. Meti o telemóvel no bolso e confesso que, sem saber muito bem o que fazer, procurei uma ombreira (que sei agora que já não é o lugar mais seguro como se pensava há uns anos) que me parecesse resistente para me pôr lá debaixo com o Afonso no caso de voltar a sentir. Felizmente não voltou a acontecer, estava tudo estranhamente calmo e eu com o coração a bater. Liguei a televisão para perceber se haveria alguma notícia sobre o assunto… nada! Pensei que podia ter sido outra coisa qualquer mas, eu tinha a certeza do que tinha sentido! E de facto passado uns minutos a SIC lá deu a notícia de última hora, que se tinha sentido em Lisboa pelas 7h44 um sismo de magnitude 4,3 com epicentro em Sobral de Monte Agraço.

Não foi uma coisa assustadora, não teve consequências e quase ninguém deu por isso ou falou no assunto mas, confesso que não consegui ficar tranquila. Depois disso já acordei muitas vezes com aquela sensação e o que mais me preocupou foi perceber que não estou minimamente preparada para uma situação destas e que não faço ideia do que devo fazer. Não só por mim mas principalmente pelo Afonso, como o poderei proteger (na medida do possível) em caso de sismo?

Desde essa altura que isto não me sai da cabeça, não sei porquê. Mas com o episódio de ontem, decidi pesquisar e reunir uma lista de coisas a fazer e evitar, partilho aqui convosco porque acho que é importante todos sabermos o que fazer (esperemos que nunca venha a ser preciso).

Acima de tudo, é fundamental manter a calma, é ela que nos vai permitir raciocinar e agir de forma segura (claro que isto é fácil falar). É também importante sabermos algumas coisas antes de acontecer um sismo para, de alguma forma, precavermo-nos.

 

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Antes de ocorrer um sismo

Tentem saber se existem planos de emergência no vosso local de trabalho e na escola dos vossos filhos. Exijam aos responsáveis que realizem esses exercícios de emergência. Apoiem programas de preparação para atuação em caso de tremor de terra. As escolas e as organizações cívicas podem fornecer este serviço. Também se podem inscrever neste site  da Autoridade Nacional de Proteção Civil para poderem participar quando for agendado um novo exercício.

Elaborem um plano de emergência e estudem em família quais os locais de maior segurança em vossa casa. Pode ser em jeito de brincadeira mas, é sempre bom para as crianças (mais pequenas) saberem o que fazer nessa altura, a brincar elas aprendem! Ensinem-lhes a esconderem-se debaixo de uma mesa grande ou da cama e a protegerem e cabeça e os olhos. É importante todos (crianças inclusive) saberem localização das saídas de emergência, como se desliga a luz, água e gás para evitar curto-circuitos, inundações ou incêndios. Mantenham as chaves perto das respetivas portas. Se estão em edifícios públicos reparem nos sinais de emergência.

Nem sempre todos os membros estão em casa e por isso, se for esse o caso na altura, tenham já previamente definido um ponto de encontro fora de casa, caso consigam deslocar-se. O mais certo nestas alturas é os telemóveis e telefones não estarem disponíveis e assim conseguem reunir todo os membros da família sem terem que comunicar.

Tentem manter a casa arrumada e as zonas de passagem desimpedidas. Fixem os móveis mais altos e pesados às paredes e coloquem os objetos volumosos e pesados o mais perto possível do chão. Mudem para outros locais os objetos e móveis que possam cair sobre lugares normalmente ocupados por pessoas, evitem espelhos e quadros por cima das camas assim como é bom que estas estejam afastadas de janelas. Não coloquem vasos soltos nos parapeitos das janelas, fixem-nos convenientemente ou retirem-nos.

Tenham uma provisão de água e alimentos para 3 dias em embalagens de longa duração, uma mochila de artigos de sobrevivência e mantenham perto da cama uma lanterna e umas botas/sapatos resistentes.

Tenham junto ao telefone e no telemóvel, uma lista atualizada de contactos de emergência incluindo a polícia, bombeiros, hospital mais próximo, etc.

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Durante um sismo

Se estão no interior de um edifício…

Protejam-se debaixo de algo forte e resistente, como uma mesa. É muito importante proteger a cabeça e podem fazê-lo enrolando os braços à sua volta, usando uma almofada ou uma manta dobrada. Se há móveis grandes a cair e há perigo real de desmoronamento do edifício, então é mais importante ficar ao lado de grandes objetos que não possam cair sobre vocês e enrolem-se ao lado deles (não debaixo) e sempre com a cabeça protegida, quanto menor a área que ocuparem menor a possibilidade de serem atingidos e, quando os edifícios se desmoronam, normalmente as placas ou estrados comprimem todos os grandes objetos mas apenas até um certo limite, permitindo por vezes criar espaços livres mesmo ao seu lado. Isso garante, no mínimo, uma possibilidade de sobrevivência que pode e deve ser explorada.

As portas e janelas não são sítios seguros! Onde haja vidros é sempre perigoso estar. Estes partem-se com violência e com grande dispersão de detritos. As portas também são perigosas pois o seu movimento durante o tremor pode causar grandes danos pessoais. Antigamente, nas casas de alvenaria, as portas estavam sob uma zona reforçada em relação ao resto da parede. A indicação de nos abrigarmos nesses locais está ligada a esse tipo de construção. Contudo, hoje em dia, não há reforço dessas zonas pelo que essa indicação não tem aplicação nas construções recentes.

Não devem fugir logo para o exterior! Durante um sismo há imensos objetos a cair, incluindo vidros partidos. Se se encontram num local amplo com muitas pessoas (por exemplo, numa sala de espetáculos ou numa sala de aula), fugir para a saída ao mesmo tempo que muitos outros significa, muito provavelmente, atropelar ou ser atropelado. Se se puderem mover, prefiram os cantos ao centro das divisões mas sempre perto e ao lado de objetos de maior dimensão que não possam cair sobre vocês. Estas indicações são para quando é difícil ir para áreas abertas. Mas se estão no rés do chão de uma casa térrea e o perigo de caírem objetos como telhas é menor do que ficar em casa, então claro que devem sair. Esta decisão deve ser tomada sempre tendo em conta os prós e contras, o que pode ser difícil de avaliar nessas alturas.

Devem evitar o elevador e escadas! O elevador é obviamente um elemento frágil. O sismo pode provocar a sua queda e qualquer deformação na caixa do elevador poderá bloqueá-lo. Provavelmente também poderá faltar a eletricidade parando-o algures. As escadas também devem ser evitadas, não só porque muitos outros poderão estar a usá-las mas também porque são elementos frágeis, com movimentos diferentes dos do resto do edifício. As escadas podem estar mais danificadas que a generalidade do resto do edifício e se um grupo de pessoas desce precipitadamente escadas parcialmente danificadas, o resultado pode ser muito desastroso. Mas a usar é preferível as escadas e, nesse caso, verifiquem se elas resistem ao peso e calcem umas botas resistentes se existirem destroços com os quais se possam ferir.

Se estão no exterior…

Se estiverem num campo aberto, devem aí permanecer. Se estiverem perto de zonas com declive devem afastar-se para zonas mais planas pois há perigo de deslizamentos de terras e rochas. Afastem-se também de corpos de água, a água pode entrar num movimento de ressonância, provocado pela passagem de ondas sísmicas de longo período que atravessam o local, e assim extravasar os seus limites normais. Se estiverem perto de estruturas construídas vejam se é possível afastarem-se de edifícios, torres de antenas, postes elétricos, candeeiros de iluminação pública, cabos de eletricidade, etc. ou de estruturas que possam desabar, como muros ou taludes. Mas se houver muitos detritos em queda é preferível abrigarem-se, como descrito, junto a uma estrutura pouco compressível.

Se forem a conduzir um automóvel…

Parem no lugar mais seguro possível, de preferência numa área aberta, afastada de edifícios, muros, taludes, torres ou postes. Não parem nem procurem pontes, viadutos ou passagens subterrâneas. Se estiverem num parque de estacionamento coberto ou similar, com possibilidade real de haver desmoronamentos, então é mais seguro deitarem-se enrolados junto à viatura. O carro não será totalmente comprimido e permitirá a existência de um espaço de proteção mesmo ao seu lado. Se permanecerem na viatura e houver desmoronamento será muito difícil, se não impossível, conseguirem depois sair dela. Se possível liguem o rádio e fiquem atentos às instruções.

Se estiverem no litoral marítimo…

Afastem-se do mar e dirijam-se para uma zona alta; lembrem-se que os grandes sismos com epicentro no mar podem provocar maremotos (tsunamis), por vezes de natureza catastrófica e que só surgem na meia hora seguinte ao sismo. Afastem-se de zonas facilmente inundáveis, de praias e de margens de rios. Os estuários são zonas particularmente perigosas. Regressem ao litoral apenas depois das autoridades o permitirem. O fenómeno pode durar várias horas. E para os mais destemidos, os tsunamis não são ondas surfáveis! Correntes muito fortes e complexas e uma grande quantidade de detritos são extremamente letais, mesmo que não sejam de grande altura.

Se estão numa embarcação perto da costa…

Dirijam-se imediatamente para o largo. Estas ondas são tão mais perigosas quanto menor for a a profundidade. Considera-se segura uma profundidade mínima maior que 150 metros, idealmente 400 metros. Pode haver mais que uma onda destrutiva e bastante separadas entre si no tempo (20 a 40 minutos, excecionalmente até mais) e com tamanhos relativos muito variáveis. Regressem apenas depois das autoridades marítimas o permitirem.

 

Depois de um sismo

Se estiverem no interior de um edifício…

Se estiverem presos ou feridos vão ter de pedir ajuda e dosear as vossas forças. Tentem respirar devagar. Gritem quando acharem que há condições para serem ouvidos. Dêem o tempo necessário para ouvir uma resposta aos vossos pedidos. Bater de forma cadenciada um objeto numa estrutura pode ser uma boa opção e cansam-se menos. Se estiverem feridos tentem estancar as feridas pressionando-as fortemente.

Se existem sinistrados por perto não retirem impensadamente os detritos. Isso pode levar a novas quedas de detritos que podem acabar por ser perigosas para vocês e para quem queriam ajudar. Tentem estancar as feridas e mantenham quentes os sinistrados. Se não conseguem ajudar tentem encontrar quem o possa fazer e expliquem detalhada e calmamente o que sabem.

Não se precipitem para saídas ou para escadas. Façam tudo com muito cuidado e mantenham a calma. Caso o local tenha ficado em condições de pré-desmoronamento tentem sair e ajudar os outros a sair com o maior cuidado possível. Se existirem destroços calcem botas ou sapatos resistentes para se protegerem de objetos pontiagudos ou cortantes.

Façam os possíveis para desligar o gás, eletricidade e água. Não utilizem fósforos, isqueiros ou qualquer outro instrumento de chama descoberta e não usem interruptores de eletricidade sem se terem assegurado primeiro que não há ou que não houve fuga de gás; utilizem antes uma lanterna elétrica. Pequenas faíscas quase impercetíveis resultantes do uso de interruptores podem provocar a ignição do gás proveniente das canalizações danificadas. Se sentirem cheiro a gás dentro de casa abram as janelas e evacuem as imediações por medida de segurança. Avisem as equipas de socorro que cheguem.

Ajudem na evacuação de sinistrados. Detetem os focos de incêndio que se podem encontrar nas imediações e extingam-nos, dentro das possibilidades, ou avisem os bombeiros. Se tiverem um rádio liguem-no e fiquem atentos às instruções. Usem o telemóvel apenas em situações de emergência, a utilização simultânea e de forma massiva bloqueia as linhas e impede o bom funcionamento das comunicações que são fundamentais para as operações de socorro!

Se estiverem no exterior…

Não toquem em cabos de eletricidade derrubados ou em quaisquer objetos que estejam em contacto com eles. Mantenham-se afastados de prédios, muros e postes de eletricidade. Não se aproximem de corpos de água, não corram, nem vagueiem pelas ruas.

Em todos os casos:

Previnam-se contra réplicas sísmicas. As réplicas poderão acabar por fazer cair o que ficou em pé mas muito danificado. Não entrem nas zonas mais atingidas e mantenham-se afastados de edifícios e estruturas a não ser que a vossa presença seja estritamente necessária. Facilitem a chegada de socorros e cooperem com as autoridades.

Logo que possível sintonizem o rádio nas emissoras que recolhem, tratam e difundem informação relevante e oficial. À medida que se organizam os centros de informação oficiais, inscrevam-se nas listas e partilhem informação sobre pessoas (quer daquelas que sabem o paradeiro, quer daquelas que procuram). Tentem contactar a vossa pessoa de contacto (referida nas medidas a tomar antes de um sismo) e dêem conta da sua situação.

No mar e no litoral continuam a ser válidas as indicações no tópico “durante” até que as autoridades informem que não há perigo.

 

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Sugestões para uma lista de material de emergência a manter num local facilmente acessível:

– Uma muda de roupa por pessoa e calçado, confortável mas resistente;

– Rádio a pilhas;

– Água engarrafada (1 litro/pessoa/dia, no mínimo);

– Alimentos para 3 dias (sem necessidade de frigorífico como comida enlatada, leite UHT, bolachas secas, frutos secos, sal, chá, café, açúcar, mel, etc)

– Medicamentos de continuidade com receita médica e fotocópias de receitas médicas;

– Estojo de primeiros socorros e medicamentos básicos;

– Cobertores ou sacos-cama;

– Vários conjuntos de pilhas de reserva;

– Papel higiénico e artigos de higiene pessoal;

– Mochila ou saco de transporte;

– Velas e fósforos, pratos, copos e talheres descartáveis;

– Chaves sobresselentes;

– Panelas, abre-latas, sacos do lixo;

– Documentos importantes, ou pelo menos, cópia destes;

– Fogão portátil (tipo “camping-gas”) em condições operacionais;

– Pequenos jogos (baralhos de carta e similares);

– Óculos de reserva, se aplicável;

– Comida para cães, gatos, etc., se aplicável.

Nota 1: Substituam periodicamente os alimentos. Para as crianças e bebés e para indivíduos com necessidades especiais: alimentação adequada, fraldas e biberões, brinquedos, papel e lápis para colorir.
Nota 2: Cada pessoa da família deve poder levar consigo o essencial dentro de uma mochila de tamanho médio.

Drop_Cover_Hold_On_ESP_Blue_Orange1Resumindo, assim que sentirem um sismo procurem um abrigo, baixem-se e protejam a cabeça com os braços e mãos e permaneçam nesse local até terminar o sismo. Tenham sempre uma lanterna à mão, umas botas resistentes e uma mochila (com o básico) preparada para o caso de ser necessário. Assim que deixem de sentir o sismo fechem água, luz e gás, confirmem se as escadas estão livres e se serão seguras para passar e procurem uma zona exterior com espaço aberto e sem edifícios próximo.

Descobri este site que me pareceu perfeito para saberem o essencial e mostrarem aos mais pequenos. Nele também podem consultar uma lista de coisas importantes para poderem criar um Kit de Emergência (o tal que convém ter numa mochila).

unnamedHá também uma aplicação para telemóvel que basicamente é um jogo que ensina aos mais pequenos como agir em caso de sismo. O Afonso tem um telemóvel que usa de vez em quando e nele tenho apenas alguns jogos destes, que na sua maioria são didáticos. Podem encontrar o jogo aqui.

Quero preparar brevemente uma mochila que será o meu Kit de Emergência, depois mostro quando estiver pronta.

 

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