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Passamos tanto tempo preocupados com os nossos filhos, com a comida que lhes damos, se têm roupa suficiente ou se conseguimos comprar os brinquedos que tanto pedem (principalmente nesta altura do Natal que chega a ser um exagero) mas, raras vezes percebemos que lhes falta o mais importante e aquilo que mais prezam e precisam… o nosso tempo!

É claro que nos matamos a trabalhar para podermos ter dinheiro, em alguns casos para podermos ter apenas o básico para nós e para os nossos filhos, uma casa, comida e roupa. Mas noutros casos é também para lhes podermos dar coisas que achamos que podem compensar o tempo que não passamos com eles.

E quando estamos em casa… quantos de nós estão efetivamente com eles? Sentados no chão a brincar ou numa mesa a estudar ou a desenhar ou a fazer algo em que estejamos 100% concentrados apenas neles? Na era dos telemóveis e das tecnologias, que tanta coisa boa nos trouxeram podendo estar apenas à distância de um click de familiares ou amigos, a realidade é que passámos a dar menos atenção a quem temos realmente ao nosso lado. E assim se terminam relações, e assim os filhos crescem a perceber que um telemóvel, um tablet ou um computador são mais importantes que eles, e mais tarde serão eles a ser assim também… os filhos efetivamente copiam os pais, são o exemplo que têm em casa e as pessoas que têm como modelos a seguir. Já pensaram nisso?

É por isso que, quando vou buscar o meu filho ao colégio, a partir daí e até à hora de o deitar, o tempo é todo dele! Quem me conhece (amigos, família e pessoas com quem trabalho) sabem que a partir das 17h, nas semanas em que estou com o Afonso (e se dou valor a isso, agora mais que nunca), não estou contactável para ninguém. Por vezes até deixo o telemóvel longe ou no silêncio.

Há um projeto brasileiro, Projeto Dedica, da Associação dos Amigos do Hospital de Clínicas (AAHC), que em 2016 lançou a campanha “Conecte-se ao que importa”. Decidiram chamar a atenção dos pais para este problema que definem como “violência virtual”. Nesta campanha mostram ilustrações de várias situações comuns no quotidiano das famílias modernas. Eles perceberam que as crianças estão desenvolvendo uma dependência destes aparelhos (telemóveis, tablets e computadores), muitas vezes porque é o exemplo que têm em casa, havendo adultos que negligenciam o convívio familiar em detrimento deste mundo digital. Excesso de uso dos equipamentos eletrónicos pelos pais gera falta de vínculo dentro de casa. Já para não falar de problemas maiores (e a SIC retratou isso ontem no programa “E se fosse consigo”) como o vício e suas consequências, como o isolamento, o bullying, a pornografia e a pedofilia.

CAMPANHAcrescerCAMPANHAtvsprograma_dedica_facebook01_2016programa_dedica_facebook03_201666128-2E se isto não nos faz pensar, então não sei o que fará!

A campanha foi assinada pela TIF Comunicação, de Curitiba, as frases são de Isadora Correia e as ilustrações de Juan Ignácio Hervas.

 

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